- Dê cifra a me, ou não te devoro...
entre-silêncios, a linha
é fácil comprovar a
autenticidade de uma notícia, e um jornalista livre deve pôr nisso toda a
sua atenção porque,"Se não pode dizer tudo o que pensa, pode deixar de dizer o que não pensa e aquilo que acredita falso". E afirma: “Cette liberté toute négative est, de loin, la plus importante de toutes, si l’on sait la maintenir” - ou: “Essa liberdade negativa é, de longe, o mais importante de tudo se soubermos mantê-la”
- Camus (porque nunca é demais) por Reinaldo Azevedo
na íntegra:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/camus-e-um-texto-sobre-liberdade-de-imprensa-escrito-ha-73-anos-ela-sentia-o-fedor-que-emanava-do-jeg/
- Camus (porque nunca é demais) por Reinaldo Azevedo
na íntegra:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/camus-e-um-texto-sobre-liberdade-de-imprensa-escrito-ha-73-anos-ela-sentia-o-fedor-que-emanava-do-jeg/
A sete palmos, as palavras
"Provavelmente seja verdade que um homem permanece eternamente desconhecido para nós e que nele há sempre algo de irredutível que nos escapa. Mas eu conheço na prática os homens e os reconheço em sua conduta, no conjunto de seus atos, nas consequências que sua passagem suscita na vida. Da mesma maneira, todos esses sentimentos irracionais sobre os quais a análise não sabe agir, posso defini-los na prática, apreciá-los na prática, reunindo a soma de suas consequências na ordem da inteligência, captando e registrando todos os seus rostos, redesenhando seu universo. É bem verdade que, aparentemente, se eu assistir cem vezes ao mesmo ator, não o conhecerei melhor pessoalmente"
- Camus de todas as horas
- Camus de todas as horas
Porque "dar uma tapa na cara da mãe" não é "passar por problemas familiares"
A cena significa movimento, o que, em geral, provoca o interesse do leitor. Lembre-se, por exemplo, da cena de abertura de Madame Bovary. Quando o romance começa,os alunos estão sentados, sonolentos, abrindo a boca, silenciosos. Aí entra o tutor conduzindo uma carteira e, ao lado, um rapaz, que chama a atenção até pelo boné exótico. O professor decide perguntar seu nome e ele, supertímido, solta um grunhido que nada quer dizer: - charlesbovarrrrrrrrrrrrry, e repete: Carlesbovarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrry. O professor pede então que ele se levante. Na verdade, ele se levanta, e o chapéu exótico, ridículo, cai no chão e é chutado pelos colegas. Depois de todo esse embaraço volta a se sentar.
Neste momento, Flaubert apresenta o personagem, mostra como ele se comporta e deixa claro que tipo de personagem tratará no transcorrer do romance. Ou seja, é Charles Bovary, o futuro marido de Ema Bovary. E mostrará, ao invés de dizer, que se trata de um homem fraco, sem reações, que se deixa levar pelos outros. Basta pensar nisso para entender a diferença entre técnica e conteúdo.
Na época de Madame Bovary era comum se escrever assim: “Na cidade de Ruen vivia um médico tímido, fraco e trapalhão, tímido e incompetente chamado Charles Bovary. Ele estudou na escola X, onde era motivo de brincadeiras. Foi criado somente pela mãe, porque o pai morreu cedo.”
Raimundo Carrero, para Pernambuco
Texto disponível na íntegra em
http://www.suplementopernambuco.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=485%3Anao-se-acanhe-ficcao-e-lugar-para-conversa&catid=16%3Araimundo-carrero
Brilho lembrança de uma memória eterna
Caiu do ar? Destacou-se da terra? Não sei; sei que um vulto imenso, uma figura de mulher me apareceu então, fitando-me uns olhos rutilantes como o sol. Tudo nessa figura tinha a vastidão das formas selváticas, e tudo escapava à compreensão do olhar humano, porque os contornos perdiam-se no ambiente, e o que parecia espesso era muita vez diáfano. Estupefato, não disse nada, não cheguei sequer a soltar um grito; mas, ao cabo de algum tempo, que foi breve, perguntei quem era e como se chamava: curiosidade de delírio.
— Chama-me Natureza ou Pandora; sou tua mãe e tua inimiga.
Ao ouvir esta última palavra, recuei um pouco, tomado de susto. A figura soltou uma gargalhada, que produziu em torno de nós o efeito de um tufão; as plantas torceram-se e um longo gemido quebrou a mudez das coisas externas.
— Não te assustes - disse ela -, minha inimizade não mata; é sobretudo pela vida que se afirma. Vives: não quero outro flagelo.
- Machado de Assis
todos os eus, o eu
- Na verdade, não sei como dizer isso, mas há uma contradição em termos em se dizer: “pensamento que se repete”. Ora, o pensamento não se repete; só se pensa a partir do impacto de uma coisa nova; desde que se repita, já não é mais pensamento. Então, na literatura é a mesma coisa. Uma literatura, quando ela é repetitiva... ela está indo no bolo, bolo daquilo que se pode jogar num grande baú de “é tudo literatura”. Mas, na verdade, não. A literatura tem que ter uma palavra singular, uma forma singular de ver o mundo.
Lourival Holanda,
Revista Crispim
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